A FESTA

tesão

Levantou-se bruscamente, cansada de fitar a luminosidade tênue daquele abajour, pensando em coisas que temporariamente deveria esquecer. Ligar e desligar. Imaginava se tudo agora não poderia adquirir esta simplicidade básica. Sophia abriu o armário e escolheu aquele vestido proibido num ato de pura rebeldia. Coisas de casamento; posse, regras, ciúmes, rotinas, pactos absurdos, proibições. Havia pensado, tempos antes, em como seria diferente, entretanto ali estava ela afundada em frustrações e insatisfações mais uma vez. Recolhimento, talvez fosse esta a palavra adequada para determinados momentos quando a vida carecia um pouco de solidão, ficar de mãos dadas consigo mesma num espaço só seu. Mas Aurélio não entendia, não aceitava, tampouco respeitava seus desejos assim temporariamente manifestados. Questionava-a sobre sua indiferença, achava-a fria e desinteressada. Remoia-se entre ansioso e ciumento imaginando que talvez outro homem ocupasse seus desejos e recebesse a dedicação ardente que ele tanto desejava. Sophia irritava-se mais e mais por ele não perceber inteiramente esta dualidade sutil e dolorosa que a fazia oscilar da mais plena excitação à mais extrema frieza.

Despiu o roupão, vestiu uma lingerie ousada e sobre ela apenas a renda preta do vestido que imprimia sobre sua pele um desenho cuja trama ora mostrava, ora escondia, como o desafio de um enigma, e completando uma sandália altíssima que prendia seus pés com apenas dois fios prateados. Deixou os cabelos soltos sobre os ombros deslizando até as costas nuas. Porém, escondeu tudo sob um casaco longo, pois desejava surpreender Aurélio ao chegarem na festa. Iriam a uma partouzes no sítio de Pierre e Suzane, um casal de amigos. Sophia sentiu-se estranhamente excitada ao admirar-se com o casaco entreaberto, diante do espelho, antes de saírem. Entreolharam-se ao entrarem no carro, haviam se prometido participar da festa apenas como observadores. O olhar de Aurélio parecia ansioso por uma confirmação, mas ela apenas sorriu roçando sua boca suavemente na dele.

O sítio era enorme e vários ambientes foram criados para a festa. Ao chegarem, sentaram-se numa área descoberta onde várias mesas eram compartilhadas e numa espécie de palco à frente dançarinas faziam streap-tease ao som de músicas sensuais. Algumas horas depois a lua já ia alta no céu, Sophia a observa e sorri descontraída, mais uma taça com restos de champanhe levada aos lábios. Retira o casaco, levanta-se e sai em direção ao bar. Inúmeros olhares faíscam em sua direção, Aurélio boquiaberto não acredita no que vê. A renda como um desenho vivo sobre o corpo de Sophia vai criando as mais loucas fantasias na sua cabeça, enquanto olha para os lados e percebe a mesma cobiça nos diversos olhares que a seguem hipnotizados. Ela chega ao bar, sente-se absurdamente excitada, seus mamilos roçam a renda como se quisessem rasgá-la, um ardor indescritível percorre seu corpo, como se cada olhar dirigido a ela a queimasse completamente. Senta-se no balcão e ao pedir um drink sente alguém tocar-lhe a cintura. Conhecia Ricardo da viagem do último verão, ele a assediara francamente na época, causando ciúmes em Aurélio. Começaram a conversar quando Inês sentou-se junto a eles, era namorada de Ricardo, juntos assistiam ao show dali, ela e Inês de olhos grudados agora num streap masculino, entreolhavam-se com ávida curiosidade. Aurélio atento, de longe, tudo observava. Sophia sentia as mãos de Inês roçarem discretamente suas coxas enquanto comentava que seu vestido estava deixando todos literalmente de “água na boca”. Ela riu alto e retribuindo o toque olhou-a num convite dirigindo-se ao banheiro.

Ricardo, minutos depois, chegando ao banheiro encontrou Sophia e Inês, corpos colados, mãos ousadas passeando entre pernas, sobre os seios, bocas famintas. Louco de excitação observava as duas, quando Sophia o viu e repentinamente resolveu sair dali, passou por ele apressada, mas chegando à ante sala que separava o banheiro do bar, ele a segurou pelo braço e puxou-a fazendo com que seu corpo encostasse ao dele e ela sentisse a rigidez do seu membro, enquanto a apertava, invadindo sua boca com avidez. Levou-a ao sofá onde Inês os esperava, beijaram-se cheios de luxúria, Sophia podia sentir Ricardo subindo pelas suas pernas, lambendo-as, retirando sua calcinha e deslizando seus lábios úmidos pelo seu sexo quente e entumescido, enquanto ela chupava a língua macia de Inês; pouco depois Inês descia os lábios até seus seios deixando a ponta de sua língua deslizar suavemente em torno dos mamilos. Sophia parecia dissolver, seu sexo latejava violentamente, ondas de prazer percorriam seu corpo e ela gemia dengosamente mexendo-se contra o rosto de Ricardo. Nesse instante Aurélio chega e paralisado junto à porta percebe uma confusão de sentimentos; raiva, indignação, ciúmes, revolta, excitação… A voz lhe falta, o corpo paralisa e ele sente seu sexo pulsar e crescer involuntariamente, enquanto observa Sophia contorcendo-se e derretendo-se agarrada a Ricardo, as mãos cravadas em suas costas. Aurélio se afasta.

Mais tarde ela retorna ao descampado, eles se encontram, se olham, ela sorridente, ele enigmático. Resolvem ir embora, já no carro ela começa a tocá-lo, a beijá-lo descaradamente, deslizando as mãos pelas pernas e apertando suavemente seu sexo, ele tenta esboçar uma resistência que não possuía, a princípio com raiva, mas aos poucos a raiva dava lugar ao tesão e ele pára o carro ali mesmo na escuridão da estrada, e então de algum recanto profundo que ele jamais percebera veio uma febre selvagem e insana que não se saciava. Eles se consumiram em bocas e línguas, mãos e peles, sorveram-se com urgência, seus sexos ferviam e se misturavam numa ânsia que não se contentava com um só gozo. Devoraram-se mutuamente e queimaram de prazer como dois selvagens.

(foto: autor desconhecido)

Comments
13 Responses to “A FESTA”
  1. Ricardo Rayol disse:

    Urban, de uma força erótica tremenda esse conto. Interessante como que mistura várias fantasias em um só local. Literalmente fiquei boquiaberto.

  2. Thomaz disse:

    “Ela.. escolheu aquele vestido proibido num ato de pura rebeldia. Coisas de casamento; posse, regras, ciúmes, rotinas, pactos absurdos, proibições.”
    Maravilha! A autora está entrando na psicologia sutil.. relevando um pouco desse “mundo-subterraneo” erotico que esta dormindo em cada um.. porém existindo! Continue despertar.. mais! Thomaz

  3. Uia…

    rsrsrs

    Muito bem, muito bem

    Forte, franco, avassalador, como tem de ser…

    Bem, meu site erótico está em fase de mudanças, mas vc ainda pode ncontrá-lo em http://morangocomgengibre.blogspot.com

  4. w.Moscolini disse:

    Picante, este foi realmente avassalador!

  5. B. disse:

    Interessante como vc descreveu a excitação e ódio de Aurélio. Havia asco e desejo. Um desejo repulsivo, diferente do desejo de Ricardo quando flagra Sofia com Ines…

    O texto é bom. Concordo com o Ricardo Rayol, nele vc passeia por diferentes fantasias e se sai muito bem em cada uma delas, uma pitada de cada uma sem ser cansativa.

    Mais um texto lido com a respiração suspensa, ansiando pela próxima frase. Meus parabéns.

  6. B. disse:

    Ah… e pra completar… Esqueci de completar, vc é uma fábrica de contos deliciosos e safados… risos.

  7. Lady Butterfly disse:

    Urban, obrigada por sua visita em meu blog… que está apenas engatinhando… adorei tudo aqui… as fotos , vai uma dica… tem umas lindas de nus no Olhare.com, depois vai lá e confira… adoro P e B também…
    Adorei o conto e deu até borboletinha no estômago, rsrsrs.
    hoje já me deliciei com A., meu amor virtual… ele foi demais. vou mandar ele vir aqui… beijos e parabéns!

  8. Olá!
    depois de ler seu comentário em meu castelo, eis que chego na sua cidade picante e de cara, através da imagem, penso:
    essa imagem também vale por mim palavras rs.
    Show!!! Muito bom seu texto…
    beijos vampíricos.

  9. Ler isso faz com que a mente vá longe, descampe cantinhos obscuros da mente, da libido…maravilhosamente sexy!!

  10. pequenosdelitos disse:

    sua intimidade com as palavras, a tensão que exala de seus textos, são absolutamente viciantes.

  11. Viviana disse:

    Hum e vc assim, ferindo e curando nossas feridas.

    Bjos.

  12. como bem disse o PD

    “sua intimidade com as palavras, a tensão que exala de seus textos, são absolutamente viciantes’.

  13. vanessa disse:

    vacila dona urban… Passo em SSA só pra te pegar rsrsrsrsrs
    adorei tudo.

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