TENTAÇÃO

[ Gente, convidei  Ricardo Rayol  para escrevermos em parceria, e modéstia à parte, o resultado ficou muito interessante. Esta dupla promete, não deixem de ler! ]

– Padre, quero me confessar.

Ela chegou contrita, olhos presos ao chão, vestido preto combinando com o véu. A igreja envolta pela penumbra, depois da missa, era o mais completo silêncio, cheiro de flores e velas no ar e o padre que arrumava a sacristia pediu que ela se dirigisse ao confessinário.

Rosinha era uma bela mulher, ainda desconhecida na cidade, fazia pouco tempo que havia se mudado, viúva, vivia sozinha numa casa à beira do rio num bairro distante do centro, às vezes vinha à igreja, mas o certo mesmo era encontrá-la todos os sábados na feira livre onde vendia suas cerâmicas. Padre Bento conheceu-a por lá quando encantou-se por uma imagem de Santa Rita que ela esculpiu com perfeição, ele a comprou neste mesmo dia, assim conheceram-se e Rosinha ficou intrigada com aquele semblante de santo que nada combinava com o sex appeal que emanava da sua presença forte. Falava com a mais absoluta calma, tinha gestos precisos, mãos grandes e de formas que chamaram sua atenção. Aquelas mãos permaneceram de tal forma em sua lembrança que ela quis esculpi-las, tocá-las, ser tocada por elas.
Depois daquele dia nunca mais se viram, o remédio para a fixação naquela lembranças das mãos que levaram a santa era ir à missa.

Depois da missa ela resolveu confessar-se, só assim poderia tê-lo mais perto. Padre Bento entrou no confessionário e Rosinha ajoelhou-se no genuflexório.

– Padre, vivo no pecado, é mais forte que toda minha parca resistência de mulher sozinha. Conheci um homem casado que me seduz demais, não só fisicamente, ele é muito bonito, muito sério, um olhar incerto, intransponível.  Foi numa noite de muita bebedeira que o conheci, ele colou em mim, coisa mais que provável pelo jeito com que me devorava com os olhos. Disse-me que nutria um tesão dos diabos pela minha pessoa, ficamos juntos na festa e bebemos demais, quando nos demos conta estávamos agarrados dentro do seu carro. Juro que antes disto tudo tentei resistir padre, no que fui totalmente vencida pelos seus beijos. Beijo bom ele tinha Padre, safado, sabe? Daqueles que querem comer ali, na hora. Que Deus me perdoe, mas a carne é fraca, principalmente a de uma mulher sozinha como eu – falou enquanto se benzia.

Padre Bento tentava ouvir sem envolver-se na narrativa. Tentativa vã, as palavras de Rosinha pareciam ter o poder de encaminhá-lo numa direção contrária e perigosa. O confessionário minúsculo ardia enquanto ele passava constantemente o lenço sobre a testa.

– Não suportei Padre, pedi a ele para me levar dali. Fomos para uma casa fora da cidade, foi uma noite louca, eu me desconhecia e muitas vezes me lembrava do finado pedindo desculpas pelo meu péssimo comportamento. Sexo sobre a pia da cozinha, na cama, no chão, grudados na parede, embaixo do chuveiro. Eu imaginava que ia ser bom Padre, mas não imaginava o quanto. É assim, quando bato os olhos num homem, sei se ele vai ser bom na cama, sei se vamos ou não parar entre os lençóis… nunca me engano – falando enquanto afastava o véu e o encarava.

Padre Bento suspirou, em silêncio. A imagem de Rosinha, debaixo do chuveiro com outro homem, era perturbadora. Pela trama que separava os dois ele percebia o calor que emanava daqueles olhos, daquela boca perfeita. Sentia o cheiro de cio que impregnava aquele corpo. Aquilo estava excitando-o. Ela continuou…

– Acabei não resistindo, naquela noite dei muito, dei demais. Impressionante, mas ele conseguia ensopar minha calcinha só de me olhar Padre, aqueles olhos me encharcavam totalmente. Foi daquelas noites que não se lembra de tudo depois, fica uma mistura embaralhada na cabeça de beijos, chupadas, metidas e gozos intermináveis; o gosto daquilo que me faltava fazia muito tempo. Foi assim que descobri que ele é viciado num boquete. Não me fiz de rogada já me desconhecendo, pois não costumo fazer destas coisas num estranho, dei a ele o que queria Padre, e o safado ria de orelha a orelha, a encarnação da felicidade, fechando os olhos delirando de prazer cada vez que minha língua deslizava, abocanhando, chupando de leve a cabecinha e no fim engolindo o pau inteiro – Rosinha deslizou a língua sobre os lábios ao terminar de falar.

O padre lembrou-se dos tempos de garoto do interior, antes do seminário. Quando começava a descobrir o mundo. Observando os animais e não entendo bem o que acontecia. Até que um dia de domingo, voltando da missa matinal, cheio de fogo e com as palavras da danação eterna ecoando pelos ouvidos, entrou na cocheira do sítio onde morava. Uma surpresa o aguardava. Sua tia, Berenice, pouco mais velha do que ele, nua, masturbava o pau de um garanhão. Um gigantesco pau. Mas não só o punhetava, também lambia ávida a cabeça daquele caralho animalesco. Mal cabia em sua boca, mas ela insistia, bravamente. Foi quando ela o percebeu. Ele ficou assustado, mas ela tranquilizou-o com um olhar brejeiro e safado. Chamando-o, pegou sua mão e esfregou em sua xoxota melada de tesão. Bento suava. Ainda sob controle de sua tia, tirou suas calças dominicais, baixou a cueca e um pau duríssimo saltou. Antes de chupá-lo, Berenice levou sua mão ao pau do cavalo. Enquanto ela mamava seu cacete, foi obrigado a punhetar aquele caralho. Que chupada! A boca de Berenice era muito melhor que o cu das galinhas onde costumava se aliviar. O senso de oportunidade da tia era tremendo. Ao mesmo tempo que Bento esporrava naquela boca o garanhão gozou. Berenice sorveu os dois caldos com uma cara de satisfação que Bento não podia acreditar. Foi a única vez que foi chupado. E ainda sentia a sensação do contato da boca em seu pau e de sua mão no cavalo. Despertou das lembranças quando ouviu Rosinha continuar implacavelmente, sem dó nem piedade, sua picante confissão.

– Depois disso ele me colocou de quatro e voltou a me comer com gosto, com um tesão descontrolado, desarrumando a cama, me amassando contra os lençóis, mordia meu pescoço, enquanto roçava o pau duro em minha bunda, depois meteu com vontade, com força seu padre, naquele lugar proibido – falou e se benzeu – num tesão de matar … Nossa Padre, com licença das más palavras, mas isso é passagem certa pro inferno, fiquei enlouquecida e gozei quase aos gritos. No outro dia acordei com as lembranças ainda adormecidas e aos poucos fui sentido um leve ardor que me tomava o corpo todo, de puro gosto e de saudade – se benzendo enquanto terminava de falar.

Padre Bento, agora completamente rijo, levantou-se. Rosinha, abismada, percebeu o tamanho da vara daquele santo homem, que com um olhar esgazeado, disse:

– Dona Rosinha, isso não se faz. Reze 600 ave-marias e 400 pai-nossos, ajoelhada em frente ao altar aqui de nossa igreja.

Dito isso, retirou-se deixando Rosinha atônita. Disfarçando a ereção, padre Bento dirigiu-se à sacristia. Lá aliviou-se, ajoelhado no milho e rezando o terço.

(imagem: desconheço a autoria)

Comments
37 Responses to “TENTAÇÃO”
  1. Ricardo Rayol disse:

    Mas não é que ficou muito interessante? obrigado pela oportunidade 🙂

  2. Bob disse:

    Ficou muito bom mesmo. Bem caliente, usando um tema ainda mais tabu nesta área erótica, misturando temas que muitos tem medo de misturar. Gostei bastante.

  3. Ricardo Rayol disse:

    Divulguei lá em casa.

  4. nana' hayne disse:

    O sacro-santo-momento!
    Rosinha deveria ter ido rezar na sacristia, rs.

    Parabéns!
    Ficou bem legal esta composição à 4 mãos 🙂

    bjs

  5. shirlei horta disse:

    Ficou interessante, também acho. Acabou todo mundo na mão. Literalmente.

  6. Cantabile disse:

    Mas a Rosinha merecia uma penitência melhor. Ficar ajoelhada e cair de boca no padreco!
    beijos aos dois

  7. Urban disse:

    Ricardo, o prazer foi todo meu!

    oi Cantábile!
    vc anda sumida, bom vê-la aqui.
    Bem… qto a penitência, reclame com Ricardo, esta tarefa foi dele … rsssss (mas eu adorei!)

    Shielei e Nana,
    bem vindas, apareçam qdo quiserem! 😉

  8. Ana disse:

    Eu jurava que ela ia comer o santo homem.

    Quatro mãos…Ah quatro mãos.

  9. paula barros disse:

    Parabéns aos dois. Ficou muito interessante.
    Com certeza essa parceria vai render mais e belas histórias.

  10. layla disse:

    Ufa!!! perfeito..um conto que provoca um calor úmido como “chuvas de verão” – esse padre me fez lembrar de alguém..como a Rosinha também. Adorei..sempre achei que 4 mãos são melhores do que duas apenas… Parabéns aos dois.

  11. Sentimental disse:

    PARABÉNS, é isso q dá qndo se juntam dois experts em letras, contos e palavras…
    Amei tudo, da confissão quentíssima à situação em q ficou o padreco… mas eu gostei mesmo foi do relato da Rosinha sobre o q ela fez com o tal cara casado… Fiquei até com inveja.
    beijos

  12. R. disse:

    bons contos são assim, imprevisíveis. quando você imagina que vai acontecer algo, outro caminho completamente diferente aparece do nada. parabéns Urban e Ricardo, muito bom o conto.

  13. Pimenta Chipotle disse:

    ai padre padre.. pq és padre?…. ai… desperdício…

  14. LSD disse:

    É, Rosinha, isso não se faz… Ai, que tesão me deu! UI!!

  15. Luci Lacey disse:

    Ricardo e Urban

    Parabens a dupla ficou o maximo.

    Ta bom de ter continuidade.

    Na proxima, de uma oportunidade ao padre tadinho, judieira com o pobre rsrs.

    Beijinhos

  16. Elaine disse:

    Ficou excelente mesmo.
    Mas não senti pena da rosinha não. muito gulosa ela!! rsrsr
    Beijins…Elaine

  17. Adorei o texto. E o ‘Rosinha’, hahahahahahahah!!!!

    Bezzos queridos, bela dupla, hein?

  18. R. disse:

    Urban, coloquei um link do seu blog no meu cantinho. espero que não se importe ,)

  19. R. disse:

    foi minha primeira experiência nesse ‘quesito’, não quero nem mais saber de trepar com cliente algum! neste caso prezo pelo meu dinheiro no bolso, hahaha.

    nunca imaginei que uma mulher no alto dos seus trinta e poucos anos, carreira consolidada e já passada por um casamento tivesse uma ilusão como esta, as vezes peco pela bondade, é aquela velha história de amizade entre homem e mulher, cai do cavalo bonito.

  20. R. disse:

    Urban, você é danada demais… enquanto nós bobos pensamos que estamos por cima, o poder está todo em suas mãos, rs.

  21. Sentimental disse:

    Ah, esqueci de perguntar, quando vem o próximo a mãos????
    beijos

  22. Grace Olsson disse:

    Não tem ” a seguir cenas dos próximos capítulos”, não?
    boa parceria.
    Só o Ricardo me fazer entrar na net de madrugada. Mas na próxima vez,eu vou me precaver.kkkkk
    bjs e dias felizes

  23. Sentimental disse:

    Gente, fiquei tão embriagada com o texto q escrevi besteira aí em cima…
    A pergunta é: qndo vem o próximo conto a 4 mãos…
    beijos

  24. Yvonne disse:

    Gente, isso não se faz. O padre perdeu uma oportunidade e tanto e na hora H cai fora. Só mesmo sendo muito babaca, rsrsrs.

    Se eu fosse ele, traçava a mulher no confessionário e tudo.

    Beijocas

  25. Ana Casanova disse:

    A parceria funcionou lindamente!
    Imaginação a duplicar!!!

  26. Ana Pê disse:

    Nossa!!! Sempre vejo seus comentários no PD e adoro a sua sutileza…. Caracas…. muito bom mesmo o texto, toda molhada, UI… adorei e estou ansiosa pelos proxímos…

    bjos

  27. Urban disse:

    Gente,
    quero agradecer a todas as visistas e comentários, vcs complementaram a estória com seus comentários espirituosos. Voltem sempre!
    E ao Ricardo por atender tão atenciosamente meu convite.
    🙂

    Realmente foi muito interessante fazer esta parceria. Eu tinha partes do conto pronto e queria o toque masculino para complementá-lo. Ricardo o fez com perfeição, ficou uma pérola esta parceria.

    E prá quem reclamou que o padreco não se aproveitou, foi decisão do Ricardo, a mim só coube tentá-lo de todas as formas imagináveis, rsss.

    E, prá quem perguntou, pretendemos em breve fazer mais dobradinhas … aguardem!! Rssss
    bjs

  28. Dani disse:

    Adorei a parceria!!!
    O padre passou por um sufoco daqueles, kkkk
    bj

  29. loba disse:

    uau! super conto!
    contos eróticos, no geral, não fogem muito ao lugar-comum. mas este ficou especialmente interessante. aliás, esta mistura de sacro e profano sempre aquece o cenário, né? rs…
    Parabéns aos dois!!!
    beijos meus

    • Billy_Billy disse:

      Querida Loba
      Desde que o mundo é mundo que o sexo não muda. Tivemos alguns avanços na forma, nmas não no conteudo. Obom disso tudo é que ainda nos divetimos! rs

  30. angie disse:

    Nossa!
    Adorei o site, viu?
    Favoritei e com certeza voltarei mais vezes!

  31. Cristiny disse:

    Muito bom, legal mesmo…. escreva mais sobre padres, mórmons, esses homems com imagem de santo, mas que na verdade são uns tarados safados! Adorooooo! =D

  32. Billy_Billy disse:

    Tudo leva a uma quebra de dogmas. A liturgia estava perfeita. Mas, nem tudo é como queremos. Sinto pelo padre. Sinto por Rosinha não ter conhecido as mãos que levou a santa. rsr. Ela vai voltar!

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  1. […] rala-e-rola dentro de um confessionário. Aposto que deram uma passadinha inspiradora por aqui (no post aí de baixo) antes de cometerem o saudável delito […]



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