O SABOR DO CHEF

Eram as primeiras horas do dia dos namorados quando ela recebeu o convite de Arthur. Entender porque, ela nem queria… um convite daqueles, naquela data!? A namorada do cara, então, não ia gostar nada se soubesse.

Do outro lado da linha Arthur falava com voz melosa, provocando seus mais fantasiosos desejos. “Hoje vou cozinhar só para você depois que a cozinha do restaurante fechar, te pego em casa e voltamos prá lá.”
Clara saiu correndo para o closet pensando no modelito para aquela noite que prometia. Escolheu um vestido vermelho com um decote daqueles de abrir o apetite, bastante recomendado para a ocasião, não muito curto prá dar um toque quase comportado, uma certa contradição sempre ia bem.

Arthur chegou pontualmente e a levou ao restaurante. Foram direto para a cozinha, onde ele e duas taças sobre a bancada a aguardavam num cenário repleto de panelões e os mais diversos utensílios de culinária. Agora entre ele e a taça estava Clara. Beijaram-se com saudade, entre juras de sedução.
Seu olhar viajava entre os olhos dela e o seios que queriam pular do decote e pareciam dizer assim: “estou louco prá te comer”. Arthur estava impossível com aquelas mãos ávidas passeando pelo seu corpo, com beijos e chupadas insaciáveis que começavam na boca e desciam pelo pescoço, ombros  e seios. O vinho estava delicioso e os beijos mais ainda, as mãos de Arthur afoitas e ousadas já se atreviam pelo meio das pernas de Clara, que ofegava fazendo eco pelas paredes azulejadas.

Sobre o fogão, a lagosta afogada parecia querer fugir da panela e eles sobre a bancada não pretendiam nenhuma espécie de fuga, apenas entrega. Ele sorvia o vinho aos poucos e deslizava a língua gelada pelo corpo de Clara enquanto ia tirando delicadamente sua roupa, e ela, sem alternativa (risos), fazia o mesmo com as dele. Quando deram-se conta, o couvert já estava sendo servido entre suas pernas. Arthur  delizava a língua, gulosa e ousada, pela barriga de Clara, foi chegando macio entre as suas pernas, deslizando e chupando de uma forma enlouquecedora. Aquela língua morna e macia fazia Clara revirar os olhos, sua xota latejar de tesão, enquanto suas mãos e coxas apertavam a cabeça de Arthur entre os suaves movimentos ondulantes do seu quadril.

Misturado a tudo isto, algumas vezes ele parava, a olhava direto nos olhos e dizia coisas picantes entre sussurros, depois, aos poucos, foi subindo sobre seu corpo, se esfregando e invadindo-a de uma forma muito sacana… Assim de súbito, estocou com força em meio a beijos e mordidas pelo seu pescoço. A coisa literalmente pegava fogo e um ritmo forte e sedento foi impresso aos movimentos daqueles corpos suados sobre a bancada. Arthur fodia com gosto, cheio de tesão. Uma fome mútua dos corpos, o gosto de Clara na sua boca, o tesão impresso na pele fazia com que a cada segundo o gôzo ficasse mais perto e mais insinuado. Em pouco tempo gozaram ali entre panelas, pratos, taças e talheres. Mãos crispadas, gemidos… espasmos, a loucura da entrega.
Depois, exaustos, molhados de suor, abraçaram-se entre beijos, rindo da deliciosa loucura de trepar na cozinha do restaurante do pai de Arthur.

Após o banho, ele foi preparar, ao vivo, o jantar e aquela lagosta que antes tentara inultilmente salvar-se do afogamento veio parar no prato de Clara. Estava deliciosa, pensou Clara, mas o gosto do ferrão de Arthur era muito melhor! Jantaram, ali mesmo na cozinha, sentados sobre a bancada, rindo, tomando vinho, contando casos e trocando  confidências. O olhar que trocavam era de puro encanto e promessa de mais… muito mais, talvez uma sobremesa.
E assim começou a comemoração do Dia dos Namorados de Arthur, mas a namorada dele nem sonhava com isto!

( foto: Martin Kovalik )

Comments
6 Responses to “O SABOR DO CHEF”
  1. Sentimental disse:

    e quem é q lembra de namorada numa hora dessas????

  2. Zeze disse:

    Oi Urban!!

    Bom ver voçê de volta, foi umas férias boas 🙂

    Beijoka

  3. Nina disse:

    Olá!
    Nossa, perfeito… Estou vivendo uma história semelhante.

    Aproveitando, venha conhecer o meu blog, Dama na Mesa. Espero que goste!

    Beijos,
    Nina

  4. PD disse:

    Falar nisso, faz tempo que não refogo a lagosta, sabe?

  5. trazendo de volta o fogo para a minha leitura…
    adorei o conto…
    e a namorada do Arthur, hum, bem, devia estar lá em casa.

  6. Rafhitch disse:

    Adorei o conto! Acho até que seja um auto-conto.

    Lembranças vivas na mente.

    Beijos Urban!

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