CADERNETA

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Lia era economista, coordenadora do setor financeiro da nossa empresa, uma mulher madura, charmosa e muito discreta. Lembro de quando a vi pela primeira vez. Era meu segundo dia de trabalho e ela surgiu inesperadamente na minha sala procurando alguém. Desde aquele dia, Dra. Lia – eu deveria tratá-la assim, era seu estagiário – não saía da minha cabeça, suas mãos sobre os papéis, me explicando o trabalho, seus olhos verdes por trás dos óculos, seus cabelos presos num coque, seu cheiro de patchouli e aquela voz doce e firme. Passei a ter uma obsessão inquietante por ela, algo que a princípio nem eu mesmo percebia. Queria saber tudo, interessava-me particularmente sua mesa, onde eu poderia saciar minha crescente curiosidade. Livros, revistas, suas anotações, seu calendário com dias marcados em vermelho ou com símbolos secretos, fotos, sua agenda, seu computador. Perdi o controle e me vi então penetrando na sua intimidade. Censurava-me por isto, mas o fascínio era forte demais! Ela tão séria e formal, tão distante, mas ao mesmo tempo simpática e solícita que eu viajava entre a subordinação e o desejo. Mergulhando mais fundo nas minhas investigações fui descobrindo contradições naquela personalidade misteriosa. Assim obcecado por descobertas, descobri uma outra mulher, sensual, perigosa, inquietante, tão diferente da plácida Lia nos seus tons discretos de aquarela, uma profissional irretocável. Em meio àquela investigação surgia uma mulher febril, carregada de tom dramático e tremendamente imprevisível.

Numa manhã, seu computador entrou em pane, me pediu então que solucionasse o problema, enquanto ia a outro setor. Comecei a trabalhar, mas a curiosidade foi inevitável. Percebi que ela tinha deixado a bolsa na sala, avancei sobre ela, faminto por novas descobertas. Vasculhei minuciosamente, procurei por qualquer coisa que pudesse me revelar melhor aquela mulher. Achei uma pequena caderneta vermelha e um maço de papéis dobrados amarrados com uma fita, intitulado por fora: LUCAS. Comecei a ler os papéis, eram e-mails trocados entre ela e um homem, o diretor comercial da nossa empresa, e neles ele assediava Lia de forma ostensiva. Pelo tom dos e-mails ele era correspondido e entre os dois existia uma secreta relação. De repente me vi invadido pelo ciúme e quase amassei os papéis, mas controlei-me e voltei a lê-los. Dava para concluir que o homem tentava seduzi-la e ela fazia um jogo sinuoso com ele, as vezes avançando, noutras recuando e deixando-o por vezes sem saber o que ela pretendia. Aqueles e-mails me deixaram apreensivo, imprimiam mais dúvidas do que certezas. Minha doce Lia transformada numa felina, cheia de manhas e ardis, eu estava cego de ciúmes e ao mesmo tempo tremendamente excitado com este seu lado ousado. Fui pegando a caderneta, queria saber mais, foi quando ouvi vozes. Rapidamente guardei tudo, coloquei a bolsa no lugar e voltei ao trabalho. Segundos depois ela entrou na sala querendo saber se estava tudo ok, mas eu não tinha feito quase nada e menti dizendo que o computador tinha travado e estava fora da rede. Reiniciei a máquina dizendo-lhe que iria tentar novamente, mas ela pediu-me que voltasse depois.

Sou um cara tímido, não sou bonito, sou magro com cara de “nerd”; mulheres é um assunto complicado demais para mim, acabo sempre preferindo a fantasia à realidade. Hoje, depois que vasculhei a bolsa de Lia, uma inquietude se apoderou de mim.

Era uma segunda-feira, eu havia chegado atrasado. Ela interfonou e num tom duro me chamou à sua sala. Para minha surpresa, ela me esperava completamente nua,  olhos verdes fuzilantes e os cabelos soltos escorregando sobre os seios. Sentada sobre a mesa, pediu-me para ler a caderneta que estava aberta sobre seu colo, por detrás dela pude vislumbrar as pernas entreabertas e seus pêlos… Na caderneta podia-se ler um texto que descrevia uma cena de sexo entre nós. Ela me pediu que lesse em voz alta, aquilo me excitou a tal ponto que tentei tocá-la, mas ela afastou-me com a ponta do pé mandando-me ler. Quando terminei estava completamente suado e duro, tremia; ela ria e tirando o caderninho do colo, levantou aproximando-se perigosamente de mim até que seu corpo tocou o meu levemente. Eu estava paralisado quando ela abriu a minha camisa e passou a mão pelo meu peito, gemi, e ela tocou meu lábio de leve com os dedos pedindo silêncio. Começou a lamber meu peito, sua língua brincava inquieta entre meus pelos e foi descendo até meu abdômen. De repente ela parou, voltou e sentou-se sobre a mesa novamente falando de modo autoritário: “agora é sua vez, vem aqui”. Me aproximei, ela pegou minha mão e levou até seu sexo que estava completamente molhado e inchado, comecei a deslizar meus dedos dentro dela, ela gemia e me olhava entre os cílios. Sua expressão safada me excitou mais ainda, meu sexo latejava e eu tentei abrir a calça, ela não me deixou, afastou minha mão e guiou minha cabeça entre suas pernas, enquanto me tocava por cima da calça me apertando. Me olhou nos olhos e pediu que a chupasse, eu tremi de excitação e vergonha e deslizei minha língua entre os pêlos, seu cheiro era enlouquecedor. Ela gemia baixinho e se esfregava em meu rosto, mandava coisas, me dizia para chupar devagar, segurava minha cabeça e guiava meus movimentos, acariciava meus cabelos e murmurava palavrões, respirava ofegante e gemia ao lançar um líquido doce sobre meus lábios.

Eu não agüentava mais, estava para explodir, queria fodê-la, tentei abrir a calça outra vez. Desta vez ela mesma abriu e desceu suavemente até meu pau e o lambeu lentamente, depois o engoliu inteiro e me olhando nos olhos começou a chupá-lo num ritmo louco, eu estava a ponto de gozar, quando ela parou e me disse: “calma, ainda não …” Virou-se de costas para mim e pediu para abraçá-la firme por trás. Me encostei completamente duro e ela gemeu, esfregou-se em mim, meu pau escorregou entre suas nádegas enquanto ela mexia-se evitando a penetração. Eu não podia mais suportar, a prendi com força contra meu corpo, Lia debatia-se, não sei onde achei coragem para fazer aquilo, ela me empurrava e eu a segurava forte, tapei sua boca e comecei a penetrá-la, a príncipio reagiu, mas foi entregando-se aos poucos ao sentir meu pau deslizando dentro dela. Abriu-se então e engoliu-o, estava quente e deliciosamente molhada, mexia-se descontrolada e eu sentia o gozo chegando… De repente um barulho estridente. Olho para o lado, estou apenas eu e o despertador no meu quarto. É segunda-feira, estou atrasado.

(foto: Martin Kovalik)

Comments
14 Responses to “CADERNETA”
  1. Thomaz disse:

    .. humm.. um inicio emcocionante.. excitante da estimada autora! Comeci ler.. e fiquei preso nesta situacao contada.. estorinha gostosa.. sensual bem como selvagem! Acabei lendo.. com o dedo na minha cabecinha durinha e excitada.. para sentir melhor o calor que esse conto estava transmitando.
    Culpa da autora.. mas adorei! Thomaz

  2. Ana Pratalli disse:

    Também gostei do texto. 🙂

  3. Beth Vieira disse:

    Amei! Bem conduzido, o início é instigante e o final delicioso. Mesmo com despertador. Muito bom. Gostei tb do fato dele ter uma narrativa do ponto de vista masculino.

  4. Dark Lilith disse:

    Até nisso a segunda-feira atrapalha!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    beijos

  5. Fugu F. disse:

    Hmmm … delicioso. Embora escrito na primeira pessoa, como um homnem, o ponto de vista é absolutamente feminino …
    beijo você

  6. sacanagem disse:

    O nerd é a mulher urbana?

  7. Ricardo Rayol disse:

    Voltou em grande estilo… nada como sonhos para estimular um tedioso ambiente de trabalho.

  8. Dono do Bar disse:

    Um belo conto, com um final muitíssimo real. Acontece toda hora!
    Beijos
    DB

  9. pequenosdelitos disse:

    Ficção da melhor qualidade.
    Quem não sonha, não mama. rs

  10. w.Moscolini disse:

    Meu Deus… esta querendo chegar ou nos levar onde com tudo isso?!!!!

  11. Bird disse:

    Que delicia de texto.
    Estava com saudades
    Beijo

  12. ofthewood disse:

    É um prazer repetido vir aqui ao seu espaço.
    Um beijo

  13. Lia disse:

    poxa… que final trágico…rsr
    bjos

  14. Porra!

    Q broxante esse final

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Beleza, tava meio surreal mesmo..

    Vc é muito boa nisso, guapa..

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