REFLEXOS

O espelho preso àquela parede cor de carne era enorme, Júlia aproximou-se tocando o laço do biquíni e desfazendo-o, marcas denunciavam-se pelo reflexo, ela acariciava a pele lentamente percorrendo com a ponta dos dedos o contorno de seus desenhos e sorvendo aquela sensação que tomou sua imaginação durante quase todo o dia. Ele tinha um sobrenome doce, uma fruta daquelas suculentas de dar água na boca, devia ter adquirido a essência daquele nome-paladar que invadia a imaginação de quem por ventura o conhecesse. Seus cabelos compridos presos num rabo de cavalo, os olhos azuis e aquele toque forte de suas mãos ao serem apresentados a fez lembrar de Pett, um estrangeiro misterioso que conhecera num Carnaval, tempos atrás em Olinda.

Ela virou-se de costas para o espelho como a recriar a cena do dia em que Pett a tocou inesperadamente. Andavam enfileirados no meio da multidão, ela olhava o reflexo dos seus quadris e vislumbrava as mãos dele segurando-lhe de forma firme como se quisesse tomá-la para si, invasivo e dominador. Era como se segurasse algo que lhe pertencia desde sempre. Júlia não sabia explicar porque, nem como o toque daquele estranho lhe fez despertar incontrolados desejos no meio daquela multidão. Ela olhou para trás e encontrou uns olhos de índio penetrando perigosamente nos seus, enquanto encostava-se completamente às suas costas puxando-a para si. Podia sentir seu hálito e o calor fervilhante da multidão tornou-se absurdamente maior.

Novamente virou-se para o espelho, a fila havia parado repentinamente. Pett colou-se a ela roçando um volume que cresceu absurdamente enquanto pressionava seus quadris com as mãos. Ela pareceu incendiar, a pele fervia onde ele havia posto as mãos. Virou-se e ficaram frente a frente, ele muito alto, ao soltar os cabelos, antes presos num rabo de cavalo, fez com que caíssem suavemente como um carinho sobre o rosto de Júlia que instantaneamente sentiu seu sexo contrair-se. Ele tocou seu queixo, suas mãos eram ásperas e tinham cheiro de tabaco. Foi descendo seus lábios grossos pelo seu rosto até tocar com a língua úmida seu pescoço por trás da nuca à medida que puxava com firmeza seus cabelos para trás levantando seu rosto; ela arrepiou e apertou-se contra seu peito. A multidão os empurrava aumentando a pressão entre seus corpos, nesse momento ele a envolveu com braços pesados de aço e sugou seus lábios com fúria.

Júlia derreteu diante do espelho e ao tempo que lembrava ia descendo suas mãos pelo baixo ventre, por dentro do biquíni, ia sentindo seu corpo ardendo de desejo, toda sua pele arrepiando enquanto admirava seu reflexo lascivo. Seus dedos febris deslizavam por aquele triângulo macio em chamas que pulsava e derretia; contraiu-se iniciando movimentos ondulantes com os quadris, fechou os olhos, dedos na boca, sugados com luxúria. A fantasia com seu macho-índio aumentava o prazer quase absoluto que já sentia, gemia baixinho, a respiração acelerada e entre as pernas um doce líquido tudo umedecia. Louco frenesi numa tarde de prazeres e folia em meio à multidão; mãos firmes, lábios quentes, um sexo selvagem, urgente, sem palavras, só sussurros, olhares trocados, gemidos incontidos. Ela sente o corpo vibrar e um choque que a percorre inteira a faz deslizar lânguida diante do espelho, derretendo-se sobre o chão do quarto num gozo que chegava incontrolado.

(conto originalmente publicado em JAN/2007)

(foto: autor desconhecido)

Comments
15 Responses to “REFLEXOS”
  1. Ricardo Rayol disse:

    Belissimo texto.. de deixar um sem folego.

  2. que loukura de texto!
    delirante!!!!!!!
    sauve seja teu dia!
    bjOs…………

  3. pequenosdelitos disse:

    Menina, você escreve bem. A sensação que tenho é que você digita com os dedos melados. 😉

  4. Beth Vieira disse:

    Êeeeeee roçadinha gostosa hein?!

  5. Dante disse:

    Pelos Deuses do Olimpo!!!! Escreves de uma forma peculiar e sensual….
    O artigo que escrevi no blog não tem a intenção de ofender mas esclarecer e dar a conhecer uma realidade.
    Um abraço
    Dante

    PS:Já estive no tau País em que região vives?

  6. Viviana disse:

    Vim, agradecer a visita e informar que és muito bem vinda!

    Quanto ao post?

    Sensibilidade a flor da pele, contagia e contamina!

    Bjos

  7. ofimdapicada disse:

    que bom que gostou. ^^
    foi um momento de inspiração ..já que eu precisava começar de algum jeito isso.. hehehehe

    bjos..

  8. Vim te fazer uma visita! E me sinto em casa… Lindo texto. Ins-pirante e ins-pirador.
    Beijos.

  9. Capitu disse:

    E eu gostei de seu blog!

    Muito.

    Um abraço

  10. DGirl disse:

    Ler esse texto dá um calor…
    Ótima leitura!
    *Ui*
    Beijos moça!

  11. w.Moscolini disse:

    Virgem Santa!!!!!
    Como foi que você se concentrou para formular este conto…?

  12. Ricardo Rayol disse:

    ah essas lembranças de tirar a gente do eixo….

  13. Carmen sem filtro disse:

    Meniiiiina … de matar este texto! Rende uma pajelança .. rsrs
    beijo!

  14. pequenosdelitos disse:

    Ler você assim cedinho, sentir o sangue ferver enquanto muitos ainda dormem, é prenúncio de um bom dia.
    Adoro!

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