PECADORES

2009 Fevereiro 9

bum2

“Dos sete pecados capitais, pelo menos cinco você carrega nesta bagagem pesada dos seus medos”. Dizia-lhe quando se encontravam naquele quarto de motel barato.

Guillermo, um pacato e opaco cidadão pai de família, aparentemente tímido e controlado, permitia-se todos os desvarios e ousadias ao encontrar-se com ela. Sempre chegava ainda consciente de certa timidez e propositada acomodação; segundos depois era tomado por uma febre reenergizante, apenas ao vislumbrar o sorriso feérico de Sula.

Ela era uma mulher respeitosa que vivia um equilibrado e exemplar  matrimônio com Pedro, um homem carinhoso, atencioso, que emanava um forte senso de proteção. Ao envolvê-la na sua rede protetora parecia abraçá-la entre as asas do mundo, ao lado dele sentia-se um pequeno planeta gravitando em perfeito movimento e sendo aquecida por seu enorme calor de astro rei e provedor. Entretanto, a vida ao seu lado, apesar de toda segurança, carecia de ação, ou até de transgressão. Por muitas ocasiões, ela oscilava entre a culpa e a ousadia, numa estranha, dolorosa e contínua tensão absolutamente contraditória. Sabia que o separava dos outros homens que temporariamente surgiam em sua vida, ele era único e detinha uma posição fixa, apesar das extravagâncias que se permitia.

Naqueles encontros Guillermo se despia do orgulho e abraçava vorazmente a luxúria. Era um homem guloso, benevolente e apenas avarento quanto ao desfrute daquele corpo, queria-o todo, inteiro completo só para si, não admitia partilhas, ainda que fosse obrigado a uma, indissociável qualidade da personalidade do objeto do seu desejo. Tão pouco aceitava doses reduzidas ou controladas, sentia-se vítima de uma espécie de dependência, perdê-la era um fato que absolutamente não poderia imaginar. Apenas quando admirava aquele corpo plácido, saciado e inerte sentia-se enfim tranquilo.

Sula e Guillermo certa vez cruzaram-se numa tarde de verão, debaixo daquele clima equatoriano, sufocante e abafado. Foi ali naquele fevereiro repleto de luz e calor e solapado por um vento quente, recoberto por  uma leve poeira vermelha que trazia o ruído abafado d’uma festa de rua, que eles descobriram-se como seres feitos de uma mesma matéria, algo  volátil, camuflado, velado e venal. Romper limites, perder censuras? Seria esta a busca? De certo, sem certezas nas afirmações, esta tornou-se a tônica de uma relação marginal, que a partir daquele instante desenvolveu-se entre eles. Olharam-se e souberam, atraíam-se com tal força, talvez maior que o magnetismo dos pólos. Como era difícil resistirem-se.

Guillermo agora ocupava estas lacunas onde residiam as necessidades extravagantes e lascivas de Sula. Alimentava momentaneamente sua alma inquieta e passional com doses semanais de transgressão, de sexo animal, selvagem e exato, quando ambos podiam libertar os seus gêmeos e pervertidos demônios.

Hoje, mais um encontro naquele motel barato, ela vestia-se num corpete, cinta-liga, meias de seda, salto alto e a calcinha preta e pequenina que ele adorava. Olhos lascivos delineados, lábios fartos marcados por um batom vermelho sangue, algemas pendendo das mãos. Quando Guillermo adentrou o quarto, ela o recebeu assim, beijando-lhe a boca com luxúria, abrindo-lhe a camisa delicadamente, retirando-lhe toda a roupa, encarando-o e com a ponta dos dedos pressionava seu peito e indicava-lhe a direção para deitar-se sobre a cama. Guillermo quer tocá-la, ela não permite, prende seus pulsos à cabeçeira e nega-lhe qualquer aproximação.

Começa a acariciá-lo lentamente, deslizando sua língua pelo pescoço até chegar à boca, onde chupa sua língua de forma invasiva e demorada, descendo os dedos molhados da própria saliva pelo peito dele, brincando com os mamilos. Ele a olha com desesperado desejo, seu pau está completamente duro e aponta o brilho da sua seta em direção ao teto. Sula lambe os dedos e passa-os por dentro da calcinha, olhando fixamente para ele. Aproxima-se, esfrega os seios sobre seu peito perguntando-lhe o que deseja, ele murmura suplicando “chupa meu pau, não aguento mais isto!”. Ela levanta-se negando, começa a retirar as meias lentamente e com elas envolve o pau, acariciando-o com a seda; ele suspira, se contorce e reclama, quer sua boca; ela dança diante dele, retira a calcinha e a esfrega sobre seu rosto, ele tenta segurá-la com os dentes, suplica para ser solto; ela nega, põe os seios na sua boca, que passa a mamá-los loucamente. Gemendo, ela esfrega a xota sobre seu peito e lambe-lhe a boca, Guillermo mais uma vez implora para ser solto e ela sussura em seu ouvido “calma, quero seu pau absurdamente duro…”, enquanto levanta colocando-se diante dele de costas, agachando-se ao vestir calcinha e sandálias.

Guillermo tomado do mais desesperado tesão, sente seu pau pulsando, quase explodindo. Não suportando, pede outra vez para ser solto. Sula finalmente vem e começa a soltá-lo. Salta sobre ela imobilizando-a, receoso que lhe escape, segura seu corpo sob o dele, morde suas costas, puxa-lhe os cabelos, afasta a calcinha e começa a fodê-la descontrolado; ela reage, mas ao mesmo tempo geme manhosa, enquanto ele sente sua xota quente apertá-lo em repetidas contrações, já num gozo incontrolado em que ela remexe e ofega sob ele. Aproveitando aquela enorme excitação, desliza em direção ao bumbum, lambuzando as nádegas e entrando muito lentamente; ela se contrai, mas ao sentir a língua morna de Guillermo, dançando ousada pelo seu pescoço e suas mãos ásperas amassando vigorosamente seus seios, se abre suavemente e o deixa enrabá-la. Os espasmos de prazer voltam a percorrer seu corpo como descargas de um choque elétrico, ela ondula evitando a dor, que pronunciada logo se mistura a um prazer indescritível, quase em forma de ondas crescentes que descem por suas pernas. Neste momento sente o leite morno de seu amante invadi-la; e ao tempo que escorre entre suas nádegas ela o escuta berrando feito fera e ofegando um hálito quente junto ao seu pescoço, apertando-a com desmedida paixão, entre gemidos, palavras desconexas e beijos molhados.

[ foto: www.dustinlacina.com ]

12 Respostas leave one →
  1. 2009 Fevereiro 10

    Nossa, me vi neste conto hein…

    Surpreendente! Diria que em linhas gerais estou vivendo isso!

    Beijos!!

  2. 2009 Fevereiro 10
    Alexandre Cereja permalink

    Conto deliciosamente delicioso!!

  3. 2009 Fevereiro 11

    Mais um conto muito bem escrito. E mais uma vez digo que é uma delícia passar por este sítio todos os dias.
    Parabéns e um beijo.

  4. 2009 Fevereiro 12

    O texto é extenso mas intenso e muito bem escrito. Adorei o blogue. Linkei!

  5. 2009 Fevereiro 12

    Uaau… Meu Deeeus! No dia que você escrever um livro, certamente serei a primeira a comprar!
    De todos os contos que já li aqui, sem sombra de dúvidas esse é o que eu mais gostei… que riqueza de detalhes!

    Um beijo

  6. 2009 Fevereiro 13
    Rich permalink

    melhor conto EVER! sério, achei muito bem escrito, e de um jeito magnífico…

  7. 2009 Fevereiro 13

    E essa inspiração que falta na maioria dos contos eróticos que leio. Urban, quando é que você vai pensar em colocar todo esse dom em um livro?

    Hã?

    Beijos,

    Enfil

  8. 2009 Fevereiro 14

    Delícia de conto…

    Gostei daqui moça!

    Bom fim de semana pra vc,
    bj.

  9. 2009 Fevereiro 16

    Olá

    Que Maravilha!! E a Foto? Upa Upa

    Beijoka

  10. 2009 Fevereiro 16
    Quietinha permalink

    A riqueza de tesão são os detalhes que arrasam
    não é a arte de escrever que surpreende é a emoção que voce passa….Lindo e tesudo demais.
    beijao

  11. 2009 Março 13

    uau!!!
    Engoli seco,várias vezes…
    delicioso!

  12. 2009 Abril 18
    Fredo permalink

    Esporrei-me todo. Parecia sentir o seu cú apertando o meu pau ordenhando-o

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