CARONA
Madrugada fria, Branco descia a ladeira, ponto morto, olhos grudados nos letreiros à procura da entrada de uma farmácia. O dia se anuncia, no horizonte recortado manchas avermelhadas tingem o céu.
A certa altura um vulto chama sua atenção, ele reduz a velocidade ao ver a jovem sentada sobre a sarjeta, cabelos desgrenhados, saia curta, saltos altos, olhos borrados e perdidos olhando além da rua. Seus olhos são tomados pela cena e ele pára num ímpeto, por um momento preocupado com a moça ali sozinha na rua deserta. Branco abre o vidro do carro, se dirige a ela, trocam algumas palavras e ela lhe conta que não pôde entrar em casa, sem chaves, o irmão não lhe abriu a porta, parecia muito ocupado com a namorada. Termina de falar, volta a fitar o nada, cara de poucos amigos, ignorando Branco por completo. Mas algo o prende ali, ele insiste perguntando se não gostaria de uma carona para outro lugar, ela o encara muda e entra no carro. A mocinha deve ter uns 20 anos no máximo, Branco um quarentão, cidadão pacato, tranquilo, quase um buda, vidinha de casado, mulher, filhos e um caçula inesperado que naquele momento berrava em casa.
A garota cheirava a cigarro, apesar do estado tinha uma aparência bem tratada, pele sedosa, pernas grossas e longilíneas, mãos delicadas contrastando com unhas vermelhas curtinhas. Tinha um ar angelical, algo inocente. Pediu fogo colocando o cigarro na boca. Branco acende. Silêncio e fumaça, ela tosse e o encara, levando a mão até o meio das pernas de Branco, sobe até encontrar o pau que ainda dorme àquela hora da madrugada. Branco, tomado de surpresa, mudo, continua atento aos letreiros, curioso. As mãos começam a abrir sua calça, o pau cresce rapidamente e salta ao ver-se liberto, a garota cai de boca e língua, agarrando-o vorazmente entre as mãos.
Branco fecha os olhos por alguns instantes, mas lembra-se do volante e da farmácia. A chupada estava gostosa demais, não dava para concentrar-se em tanta coisa e ele pára o carro repentinamente ali mesmo junto à calçada em plena rua. Olhou para ela que começava a mamar com aquela boca carnuda, morena, como se quisesse sorver sua alma. Estava trêmula e recoberta de suor, ofegava e murmurava coisas ininteligíveis, ficou assim muito tempo, depois foi subindo a língua pela sua barriga enquanto Branco reclinava o banco, ganhando mais espaço. Ela arrancou a própria roupa com fúria, fazendo o mesmo com as dele, esfregou os seios sobre seu peito deslizando-os em direção à sua boca, que sugou deliciado aqueles mamilos durinhos. Alvoroçada, enfiou a língua em sua boca enquanto tentava numa acrobacia, ficar de cócoras e sentar-se sobre ele.
Como estava quente, gostosa, molhada… Sentou no seu colo, a xota tocando suavemente a cabecinha do pau e foi descendo… Branco pôde sentir cada milímetro da pica deslizando caminho adentro daquela bucetinha estreita. Ela arqueava-se sobre ele, rebolava, subia, descia… Todo o ar dentro do carro era o mais puro vapor de sauna, som dos gemidos e o barulhinho da sucção da xota sobre seu pau. Branco delirava, gingando a pélvis contra ela, metendo mais fundo a cada vez… ela gemia alto, crispava as unhas em seus ombros, enquanto subia e descia já em contrações, trêmula, olhos fechados em espasmos de gôzo. Branco já ia gozando quando ela soltou-se dele caindo no banco ao lado. O pau solitário vomitava aos pulos, ele a olhava incrédulo: fitava-se no espelho. Limpou os olhos borrados, vestiu a roupa, apanhou a bolsa no banco de trás, calçou as sandálias altíssimas, desceu do carro fechando a porta e disse: “valeu tio, fico por aqui”.
Branco não sabia se limpava a arte da garota ou corria atrás dela, na dúvida pegou a flanela no painel e depois de uma rápida limpeza vestiu-se, dirgindo-se à farmácia mais próxima. Tinha perdido dois botões da camisa, o cabelo desgrenhado, a cara de insônia… Tudo bem, sua mulher, fazia muito tempo, não prestava a menor atenção nele.
Voltou para casa com o remédio para o cólica do bebê. Girou a chave na fechadura e deu de cara com a mulher de camisola amassada e o bebê no colo. O choro irritante continuava e ela, ainda mais, perguntava o motivo de tanta demora. Sem alternativa ele falou calmamente: “Fui sequestrado e violentado por uma jovem gostosona”, a mulher sem paciência, tomou o remédio de suas mãos e deu-lhe as costas reclamando: “Branco, pelo amor de Deus, não me venha com suas ironias!”.
(foto: Johannes Barthelmes)


















Mais um delicioso conto. Dá para o vivenciar conforme se lê e fiquei morrendo de vontade de catar a Daminha e descarregar o tesão acumulado.
Menina, deu até vontade de sentar no meio fio de madrugada e esperar um carro passar.
Amei, como disse Bob, deu pra vivenciar tudo o q aconteceu.
beijos
Uau!!!
Ontem (embora não tivesse chegado o final de semana ainda..rs), li “O Mago”, do Nabokov. Um romance curtinho que segundo o próprio Nabokov, foi a primeira palpitação de Lolita, seu livro de maior sucesso e escrito muitos anos depois de “O Mago”.
Ai venho aqui e leio isso.
Um “Lolita” às avessas…
amei.
“Pensamento Insistente: namorado volta logo da viagem, namorado volta logo da viagem”…
senão, vou sentar junto com a “Sentimental” no meio fio de madrugada esperando um carro passar…
beijossssssssssssssssss,
bom fim de semana.
Pensamento Insistente 2: maldita monogamia!
kakakakak…
rs
rs
rs
ADEUS.
TE ODEIO.
agora, passam pensamento impuros por minha mente..rs..rs..rs.
beijo
Vixe maria! Que inspiração Urban! Amei!
Bezzos,
ahahahahah genial, apesar que o risco de se dar mal é tremendo. Vou fazer uma versão adaptada, posso?
tem meme pra ti lá no memórias póstumas
adaptado e publicado no memórias.
Sentimental, quando fizer isso me passa as cordenadas por GPS Please! (risos)